NOTA – REPÚDIO À INVASÃO DA VENEZUELA

 

Na madrugada deste dia 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos da América bombardearam covardemente a República Bolivariana da Venezuela, em novo ato de agressão imperialista, com o objetivo de consumar o golpe de Estado que há décadas tentam promover naquele país, tendo como objetivo central o controle do petróleo e do gás natural venezuelanos pela indústria estadunidense.

 

A Sociedade Latino-Americana e Caribenha de Economia Política e Pensamento Crítico (SEPLA) denuncia e rejeita energicamente as agressões criminosas perpetradas pelos Estados Unidos contra a Venezuela, que alcançam agora um novo nível com esta agressão militar e com o anúncio, por parte de Donald Trump, do sequestro ilegal do Presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Primeira-Dama, Cilia Flores.

 

O bombardeio desta madrugada representa o ponto culminante da escalada agressiva desenvolvida ao longo do último semestre, marcada pela mobilização de navios de guerra pelos Estados Unidos, pela explosão de embarcações na costa venezuelana e por ataques corsários diretos destinados ao sequestro de petroleiros venezuelanos, em flagrante violação ao Direito Internacional.

 

Ao agredir militarmente localidades —incluindo áreas densamente povoadas da cidade de Caracas e dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira— o governo de Donald Trump viola mais uma vez, de maneira aberta e deliberada, a Carta das Nações Unidas, em particular seus Artigos 1º e 2º, que garantem o direito à soberania, a igualdade jurídica entre as nações e a proibição do uso ou da ameaça do uso da força.

 

Trata-se de um ataque neocolonial e imperialista contra o princípio fundamental da autodeterminação das nações.

 

A destruição do projeto da Revolução Bolivariana na Venezuela constitui um objetivo explícito da política externa estadunidense ao menos desde 2002, quando os Estados Unidos financiaram e apoiaram a tentativa de Golpe de Estado contra o governo de Hugo Chávez Frías, em 11 de abril. Desde então, têm sido inúmeros os tentativas de desestabilização promovidas pelos Estados Unidos e por governos aliados, incluindo o reconhecimento do falso governo de Juan Guaidó em 2019 e a escandalosa concessão do Prêmio Nobel da Paz a María Corina Machado, agora em 2025.

 

Com o aprofundamento da crise capitalista e da disputa pela hegemonia mundial, torna-se cada vez mais necessária para os Estados Unidos a reafirmação de sua hegemonia sobre a América Latina e o Caribe, região na qual esta hegemonia se originou e que historicamente tem sido tratada como seu “quintal” colonial, do qual creem poder dispor a seu bel-prazer. Mais do que nunca, a águia estadunidense tem sede do petróleo e do gás venezuelanos.

 

Ao mesmo tempo, a ascensão de governos de ultradireita e a reconfiguração dos blocos no poder em todo o mundo, incluindo os Estados Unidos, não constituem um mero acidente. Configuraram-se como uma necessidade para a manutenção das taxas de lucro e para a ofensiva burguesa em escala mundial. O golpe colonial e imperialista em curso na Venezuela busca entregar o poder, naquele país, a setores internamente favoráveis à usurpação dos recursos venezuelanos pelos EUA.

 

A atual agressão militar se soma às centenas de agressões realizadas ao longo da história pelos EUA na Nossa América, em particular no Caribe, e coloca em risco a segurança de toda a região. É gravíssimo que a maior potência militar do mundo se sinta com o direito de bombardear outra nação independente para assegurar seus interesses geoestratégicos.

 

Desde há mais de 200 anos, a Nossa América resiste em sua luta pela verdadeira independência. Não conseguiram nem conseguirão nos quebrar.

 

Reconhecemos o direito da República Bolivariana da Venezuela à autodefesa, conforme o previsto no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas.

 

Somos à resistência histórica de nossos povos, aos quais o colonialismo e o imperialismo nunca conseguiram derrotar. As espadas, machetes e punhos dos nossos quilombos*, guerras de libertação e governos populares continuam erguidos em luta. Que a denúncia do crime perpetrado nesta madrugada pelos Estados Unidos da América se estenda e floreça em luta por toda a Nossa América.

 

Toda a solidariedade com o povo venezuelano e com a Pátria Grande de Bolívar.

 

3 de janeiro de 2026

Sociedade Latino-Americana e Caribenha de Economia Política

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